ORAÇÕES PARA BOBBY por Russell Mulcahy: de uma mãe conservadora a uma ativista dos direitos da população LGBTQIAPN+



"Orações para Bobby" é um filme baseado em fatos reais que ilustra, por meio de cenas fortes, sensíveis e emocionantes, a comovente e trágica história de vida de Bobby, um jovem de vinte anos, filho de uma família evangélica tradicional e conservadora, que na juventude constrói a sua identidade sexual e descobre que é homossexual.

Ao contar para os pais, sobretudo à sua mãe, sobre sua orientação sexual, esta o repreende e fica desolada, pois acreditava equivocada e preconceituosamente, baseada na doutrina dogmática da sua religião, que os homossexuais são seres sem escrúpulos e respeito que se entregam aos desejos carnais tendo seus corpos tomados por doenças incuráveis e malignas. 

Sua representação sobre os gays era repleta de estereótipos preconceituosos, sendo que seu estilo de vida era considerado escolhas individuais satanizadas e que, portanto, deveriam ser discriminadas. Assim, não conseguia aceitar a ideia e a realidade de ter um filho gay.

Tenta a partir de então de tudo para “curar” o filho desta “doença terrível” o levando para terapias com psicólogos e orações a Deus. Bobby, a fim de não desgostar mais ainda a sua mãe e os familiares, tenta seguir os conselhos da sua mãe e se deixa levar pelas suas loucuras. 

Ela espalha pelas paredes e móveis da casa diversos lembretes com passagens da Bíblia na esperança de convencer o filho a desistir ou “se curar” desta “escolha”. Ele, por  vezes, fica confuso e acha que talvez seus sentimentos e desejos diferentes dos outros seja mesmo uma doença ou uma escolha sua e tenta mudar de vida, mas não consegue sentir atrações por mulheres, por mais que sua mãe insista criando situações constrangedoras, como levar suas amigas a sua casa a fim do filho se interessar por uma delas.

Por causa do seu jeito sensível, porém amável e humano, Bobby sofre ao longo da sua vida várias formas de preconceito e discriminação chegando, algumas vezes, a ser agredido e violentado por pessoas homofóbicas e ignorantes que não aceitam as diferenças e são tomadas pelo ódio gratuito deixando os olhos serem tapados pela cortina da insensibilidade e a consciência contaminada pela inumanidade e por crenças e valores conservadores e acríticos.

Não suportando a pressão, a exclusão e a discriminação da sociedade e o desprezo e a falta de compreensão da sua mãe, Bobby, infelizmente, pula de uma ponte sob a qual um número indescritível de carros passam velozmente. 

Momentos antes, um fleshback de imagens e cenas dos familiares e amigos invade sua mente, o deixando profundamente triste e solitário.

Ao saber da notícia trágica, seus familiares ficam perplexos e cheios de remorso, inclusive sua mãe que se desespera no ambiente onde estava trabalhando. Tempos depois, passa a estudar mais sobre os homossexuais e aos prantos e com o coração confrangido chega à conclusão de que Deus não curou Bobby porque não havia nada de errado com ele. 

A partir daí se tornou umas das ativistas mais importantes dos direitos e da causa LGBT, lutando contra qualquer forma de preconceito e discriminação sobre este segmento social. 

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