Análise crítica sobre a atenção primária à saúde no Brasil


Fonte da imagem: Vereda da Saúde

Autor: Marcondes Torres.

A atenção primária ou básica de saúde no Brasil é materializada por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégias Saúde da Família (ESF) que através das suas equipes de referência devem, sobretudo, desenvolver ações e serviços de promoção da saúde e prevenção dos seus riscos e agravos, todavia é notável ainda nestes espaços e em outros que constituem a rede de atenção à saúde uma prevalência do modelo tradicional de assistência centrado no atendimento curativo individual e de recuperação das condições biológicas de saúde.  Em sua maioria as ESF e UBS não realizam ações que visem promover a saúde, como campanhas de conscientização sobre os determinantes e agravantes da saúde coletiva, as medidas de prevenção de riscos e de combate a vetores de endemias e epidemias etc. O planejamento sistemático e contínuo entre os profissionais destas unidades ainda é pouco utilizado como mecanismo de avaliar, monitorar e estabelecer metas e estratégias de ação, além de garantir a criação de vínculos entre os membros da equipe técnica e fortalecer a interdisciplinaridade e capacidade organizativa e de resolutividade da atenção básica. 
Os espaços físicos não atendem as demandas emergentes da população garantindo o princípio da privacidade e sigilo, uma vez que as salas de espera são abertas, onde transitam usuários e profissionais constantemente, causando constrangimento em algumas situações e a quebra de vínculo e confiança dos usuários para com a equipe da unidade. Os recepcionistas e demais profissionais, como Agentes Comunitários de Saúde (ACS) não possuem, muitas vezes, um preparo técnico e teórico adequado e satisfatório para lidar com as demandas e necessidades da população, realizando um trabalho pouco eficiente e resolutivo. A grande demanda por serviços de saúde e o acesso muitas vezes limitado a tais serviços gera um sentimento de revolta e descrença na população usuária, que acaba perdendo os vínculos com as instituições e os seus profissionais, buscando outras alternativas para sanar suas necessidades de saúde. Neste sentido, as portas da atenção básica acabam se fechando ou não resolvendo os problemas de saúde dos usuários.  Por causa desses e outros desafios e problemas cotidianos que a atenção primária acaba não se expressando para a população como literalmente a porta de entrada para o SUS, afinal muitos não conseguem vê-la como ponto de referência para acessar os serviços de saúde pública do SUS.  No entanto, não podemos apenas criticar as falhas e inadequações da atenção primária do SUS e das suas outras dimensões de cobertura, pois o SUS é uma grande conquista para a população pobre e trabalhadora que durante anos viu-se a margem do acesso aos serviços públicos de saúde, dependendo apenas da caridade da sociedade civil ou do acesso via mercado privado de consumo. Muita coisa precisa ser melhorada, mas em termos de direitos e garantias constitucionais já avançamos muito, pois é um dos maiores sistemas púbicos de saúde do mundo, sendo referência para vários países.  Se antes a atenção à saúde era voltada apenas para o atendimento clínico-médico individual que visava apenas a cura das doenças e a reabilitação da saúde dos demandantes, com a criação do SUS a saúde passou a ser vista como um conjunto de condições de bem-estar físico, psicológico, social e econômico e não apenas como a ausência de doenças, levando-se em consideração também os seus determinantes socioeconômicos, como as condições de vida da população, incluindo renda, saneamento básico, alimentação, higiene, escolaridade, cultura e etc.  A atenção básica deve atuar nos territórios de sua abrangência, principalmente, na perspectiva de orientar a população sobre tais condicionantes e determinantes de saúde, por meio de grupos de usuários de acordo com sua faixa etária, palestras, campanhas e visitação domiciliar, possibilitando a participação da população e o fortalecimento de vínculos e do princípio de acesso a informação. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAGAS, A; VASCONCELLOS, M. da P. C. Quando a porta de entrada não resolve: análise das unidades de saúde da família no município de Rio Branco, Acre. Saúde Sociedade. São Paulo, v.22, n.2, p.377-388, 2013.

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